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quinta-feira, 4 de março de 2010

"Hockey is Canada's Game"


Autor: Anderson Paes
Data: 28/02/2010
Final do Hockey nas Olímpiadas de Inverno de Vancouver 2010: Canadá 3 x 2 EUA

quarta-feira, 3 de março de 2010

Para matar o tempo

*Eduardo Daniel | www.twitter.com/eduardosdaniel

Certamente este ano, assim como os últimos, passara rápido demais para a nossa superficial compreensão. E não é porque em 2010 teremos Copa do Mundo e Eleições, mas é porque só ficamos sem fazer nada quando estamos dormindo.

Os apetrechos tecnológicos fazem parte de um arsenal que nos serve ao bel prazer de ver o tempo passar mais depressa do que a natureza deveria conceber.

Não faz muito tempo, a TV “fechava” pouco depois da meia-noite. Hoje, os canais por assinatura estão aí com transmissões específicas 24 horas por dia, com conteúdo, muitas vezes, ao vivo e atulizado frequentemente.

As redes sociais virtuais permitem que tomemos conhecimento de notícias das mais relevantes às mais tolas e individuais.

Mesmo os aparelhos celulares nos são úteis nos momentos de espera, com acesso a internet ou como plataforma para joguinhos.

Definitivamente poucos se dão ao exercício da contemplação. Por vezes sinto inveja de um cachorro, quando o vejo deitado à sombra de uma árvore, vendo a vida passar para ele, como passou para seus ancestrais: minuto após minuto, com calma, tudo à seu tempo.

Nossa ansiedade de consumo nos encaminha para um futuro de cada vez menos reflexão. Isso porque, refletir requer tempo ocioso e paciência.

Aposto que você já ouviu – ou já falou – que já estamos em março e este ano já está “voando”. E a cada dia essa sensação aumenta. É possível, porém, que no tempo de nossos avós ou até mesmo no de nossos pais, os dias, as semanas, os meses e os anos parecessem mais longos. E por que?

Porque existia a contemplação. Existia a conversa. As casas, por exemplo, possuiam muitos sofás e poltronas, além de enormes sacadas. Sem energia elétrica, aparelho televisor e demais avanços que hoje são corriqueiros, o tempo escorria num fio fino. Hoje, o tempo avança em corredeiras, indomado.

Desde os primeiros momentos da manhã até a hora de dormir, estamos em alguma atividade. Tomamos café recebendo informação, almoçamos recebendo informação, dirigimos da mesma forma. E quando não temos o que fazer, procuramos algo para “matar” o tempo.

Se isto é bom ou ruim, só o tempo, com toda sua pressa atual, dirá.

Consciência coletiva ou algo do gênero

*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes

O mundo que conheci do lado de cá dos trópicos parece ter um espécie de consciência coletiva – apesar de que quase todos aqui são estrangeiros. Harmonia e coletividade. Coisas funcionando porque são bens comuns, bens de todos. Diferente de um certo egoísmo e indiferença ao sul do equador acerca de certas coisas públicas.

Não que aqui seja o nosso ideal de futuro, também existem erros, também há corrupção. Talvez políticos sejam iguais em todo o mundo – menos na Ásia, onde eles renunciam ou se matam quando são flagrados. Mas o povo é diferente – e alguns brasileiros também formam o povo daqui.

Então, os brasileiros, quando num lugar em ordem, entram na mesma freqüência e agem como aquela sociedade funciona? E por que não no Brasil? Há um jeitinho pra tudo!

Nossas leis que falham. Por que os brasileiros respeitam as leis em outros países? Por medo; porque elas funcionam. Não há respeito com o que rege o Brasil. Aliás, algo rege o Brasil?

Não tô buscando os defeitos do país onde nasci – e que às vezes até posso me orgulhar –, nem pretendo mostrar as qualidades daqui. Não busco a comparação. Busco alternativas para que possamos mudar nosso pedaço do mundo, nosso povo. É possível.

Um dia tento listar de que modo... por enquanto tenho mais perguntas que respostas.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Tratamento VIP

*Camila Rufine | www.twitter.com/camilarufine

Ontem me senti muito discriminada aqui. De novo.

Da primeira vez, eu e mais duas Au Pairs estávamos com dificuldade para compreender os detalhes sobre o pedido de mudança de endereço da conta do celular de uma delas. Depois de muito custo e repetição, entendemos o que a atendente-número-um queria dizer. Foi quando a atendente-número-dois resolveu perguntar há quanto tempo estávamos aqui. Respondi, toda simpática, que fazia quatro meses. Ela fez um sinal negativo com a cabeça, como quem não quer se conformar com algum caso perdido. Muito inocente, perguntei para ela se nosso inglês estava tão ruim e ela só deu de ombros, provavelmente agradecendo a Deus, em pensamento, por ter compensado a sua feiura com a naturalidade norte-americana. Eu não fui madura a ponto de não me afetar e fiquei o resto do dia inconformada com a minha falta de progressos no Inglês.

O segundo episódio da série 'Discriminados' aconteceu no mesmo shopping. Eu e mais três amigas estávamos sentadas em dois dos bancos do corredor com nossas várias sacolas de compras, esperando outra Au Pair chegar para irmos a um barzinho. Nesse meio tempo, passou um xerife boa pinta e uma das minhas comentou em voz baixa - e em Português: "Que policial bonito!". Demos uma risadinha silenciosa, mas logo continuamos nossos assuntos anteriores, também em Português. Foi quando o xerife, que já estava longe, voltou para a nossa direção, perguntando se a gente estava ali à espera de alguma carona. A gente respondeu que não. Ele disse então que era pra gente sair de lá. Ainda sem entender nada, perguntamos se o shopping estava fechando. Ele falou que não, mas que era pra gente encontrar o nosso carro e ir embora, naquele momento. Intimidadas, dissemos que tudo bem e ele saiu de perto da gente.

Depois de uns 10 minutos paralisadas e tentando descobrir qual teria sido o motivo daquela cena, concordamos que ele só poderia ser um desses americanos xenofóbicos com síndrome de superioridade e que, quando ouviu a palavra 'policial', bem parecida com 'policeman', em Inglês, deduziu que estávamos falando mal dele. Achamos melhor sair de lá, pois se o xerife decidisse dizer que nos ouviu combinando queimar uma bandeira americana gritando por Alá, todo mundo poderia acreditar.

Nunca esperei chegar aqui no país dos egocentrismo paranóico e receber tratamento especial. Mas tem dias que é dificil achar inteligente a minha decisão de ter vindo pra cá.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Girafa


Autor: Valter Ziantoni
Ano: 2009
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